 |
Tendência2010/02/03
Obama risca Lua do mapa da NASA“Propomos a anulação do programa Constelação da NASA.” Foi assim que a Administração Obama, através de Peter Orszag, o responsável pelo Orçamento na equipa do presidente dos EUA, anunciou o fim dos planos para uma nova ida do Homem à Lua. Ao invés da missão ao satélite natural da Terra, Obama propõe mais investigação e desenvolvimento para melhor conhecer o Sistema Solar.
O programa Constelação, lançado em 2004 por George W. Bush, depois da explosão do vaivém Columbia em Fevereiro de 2003, previa um regresso dos norte-americanos à Lua até 2020 e, depois dessa data, voos tripulados a Marte. E para o desenvolver, a NASA investiu já mais de nove mil milhões de dólares (6,4 mil milhões de euros) na criação de dois novos foguetões, além de uma nova cápsula onde viajariam as tripulações, uma vez que os vaivéns se vão “reformar”.
Agora, o projecto será anulado, mas a NASA até viu o seu orçamento aumentar. O executivo propõe um aumento do orçamento da agência espacial norte-americana em 5,9 mil milhões de dólares (4,2 mil milhões de euros) e a prioridade são projectos de investigação científica e a abertura de colaborações – com outros países e parceiros comerciais – no desenvolvimento de veículos e lançadores para levar astronautas para a Estação Espacial Internacional (ISS).
A NASA defende que pôr de lado o regresso à Lua não é, como alguns afirmam, “um passo de gigante para trás”. Lori Garver, vice-administradora da NASA, considera que “este orçamento volta a colocar-nos no Sistema Solar”.
Na nova proposta de orçamento, Obama parece querer agradar os cientistas, ao prolongar o prazo de envolvimento americano na Estação Espacial Internacional (de 2015 para 2020) e reforçar o financiamento para que a ISS se torne, de facto, num laboratório orbital, para estudar os efeitos da micro-gravidade no corpo dos astronautas.
A aposta será também nas missões robóticas de exploração do Sistema Solar – incluindo no estudo do Sol – e no estudo da Terra e das alterações climáticas.
Sem meios para pôr astronautas em órbita, a partir do fim do ano, a agência espacial norte-americana vai ter de pagar bilhetes de 50 milhões de dólares para usar as naves russas como solução imediata. No entanto, os EUA querem também usar o esforço das empresas privadas, algo inédito.
Obama propõe, portanto, que a NASA centre as atenções no nosso planeta e na sua órbita. Propõe que, apesar da subida no orçamento, a agência espacial mantenha os pés bem assentes no chão e saiba usar as sinergias com o sector privado e outros países para desenvolver projectos mais ambiciosos, pois entende que no actual quadro não se justifica que o governo seja o único motor da conquista espacial. Ainda assim, pena é que, face à realidade, a NASA não possa para já sonhar com voos mais altos.
André Gonçalves Nunes
|